Quem viu
não vai
esquecer: Barack Obama no
palanque,
todo sestroso,
com aquele sorriso caetaneado, de
bem com a
vida, dedicando a
noite vitoriosa à vozinha
que ainda mora na África,
depois de
ter alcançado a
indicação como candidato do
partido democrata à
presidência dos EUA. Há
toda uma
cornucópia de
análises sobre a
trajetória e o
provável sucesso do
senador nas
eleições de
novembro – é
só abrir os
sites políticos e
checar o
que pensam os
adoradores dos
números e das trampolinagens
que regem o
concerto sem conserto que toca a
vida palaciana em geral. Obama é
um personagem realmente novo no
cenário social americano,
mesmo que ainda venha
com sua aura de
salvador messiânico
que,
em tempo e
bem ao
gosto ianque, vai
dar um basta a
tudo que está personificado na
pedestre figura medíocre de George W. Bush. É só dar uma olhadinha na entrada dele no programa da Ellen Degeneres para achar alguma coisa fora da ordem americana: (http://br.youtube.com/watch?v=RsWpvkLCvu4). Obama falou
muito e falou
bem.
Olha o Obama
aí, geeeente!!!,
gritaria o
animador carnavalesco,
sem se
importar de
dar um créu no
lugar-comum do
hino americano. O
discurso,
mesmo escrito por um ghost-writer, caiu
bem na
boca simpaticamente escancarada do
candidato democrata e foi redimensionado
por seu olhar firme,
seus gestos comedidos e o
agradável tom de
voz que hipnotiza
mesmo. O
conteúdo também foi uma
bola dentro, começando
pela alusão à avó e, pasmem, elogiando Hillary e McCain.
Quem esperava uma auto-apologia
que sublinhasse
suas raízes negras
ou um discurso centrado no “eu-sozinho” se frustrou
positivamente – Obama falou de
idéias, de
propostas, deslocando o
foco que muito justamente o colocava no
centro do
palco,
para muito além dos
devaneios egóicos,
comuns em apoteoses como essa. A
ginga logo apareceu
em pausas certeiras e
olhares convidativamente baianos que convidavam o
ouvinte a
ser mais do
que isso – chamava-nos
para sermos
interlocutores,
para participar numa contra-dança ao
som do
debate. A
multidão,
claque hollywoodiana, ensaiada
ou não, ia às
alturas. Os
analistas de
plantão na CNN estavam
convencidos de
que o
momento era mesmo histórico,
mas eu achava
mais – ecoava
nos meus ouvidos tão castigados as
vogais abertas do
nome Obama! dando
um chega pra lá em richards, bills, georges, johns, geralds and jimmys. Esta
primeira batalha ele venceu
com elegância: a
batalha do
discurso, do
domínio das
palavras, da
entonação honesta e da
emoção sem disfarces.
Falta,
agora, o
embate com os
tanques republicanos. John McCain
certamente vai
atacar. Esperemos
que, dessa
vez, os
votos sejam contados
corretamente e
que o
senador e
sua equipe tenham aprendido
com os
erros de Kerry e Gore. Os
Estados Unidos, a super-potência,
são a
terra dos
superlativos e das superações.
Quem sabe se,
agora, os super-delegados
não elegem,
finalmente,
um super-homem?
080606
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