segunda-feira, 8 de outubro de 2007

A SUPER-MULHER


Pois é, o ano ainda está longe de terminar e ela já é considerada a mulher do mesmo, com toda a razão, diga-se a bem da verdade. Entendo que ser considerada a mulher do ano é homenagem que a põe num patamar bem mais alto do outras que fazem sua existência modesta acontecer sob os mesmos auspícios desses 365 dias. A novela, concordo, deu projeção, mas ela é muito mais do que um personagem descoberto pelo autor. Ela dá corpo – se me permitem a expressão um tanto óbvia no caso – ao que se pode chamar de “beleza inteligente”, pois basta olhar com um pouco de atenção para ver que ela resolve fácil a antiquíssima divisão entre o físico e o imaterial. Se os filósofos especulam sobre a beleza enquanto os cientistas afirmam que ela é resultado de um aumento de fluxo sanguíneo na base do lobo frontal, não vou bater de frente com ninguém. Assim como o cérebro é esculpido pela música, as áreas mais sensíveis à beleza são formadas a partir da visão que temos dela. Explico: quando alguém observa uma obra de arte, diversas áreas do cérebro se ativam em sincronia. Chamam isso de neuroestética, palavra meio feia para o que ela representa, eu sei, e acredito que Vinicius de Moraes não a teria acolhido por sob as barbas brancas. Mas teimo. Esses seres femininos que habitam o mundo e o imaginário dos homens têm seus mistérios e suas ilogicidades. Querem, não querem. Sabem, não sabem. Chegam, indo. Fazem-se profundamente ausentes na mais sólida presença. Por isso, ela persiste em todas as capas de revistas, nos programas de televisão, nas conversas com cheiro de esmalte dos salões cheios de mulheres que parecem ter só pés e mãos, nas esquinas, nos bares, na alma. A melhor de todas as tropas de elite, pode ser explicada pela cor da pele, ou o formato sonoro do sorriso. Mas é mais. Tem “catiguria”, sem cortes, mantendo a unidade espacial e temporal. Tem também, certamente, mais de um milhão de citações numa busca simples por seu nome no Google. É o exemplo perfeito de que são as imagens que nos captam. Lacan, sempre ele, dizia que antes de olhar, somos olhados. Ela nos olhava diariamente, sem nos ver, sabendo que estávamos de olho nela. Agora, a temos queimada, como a imagem eterna de um DVD idem, na memória daquilo que consideramos lindo. Vai descansar a beleza longe dos que a absorviam, nem sempre com bons olhos. A existência humana requer uma dose de anonimato. Clark Kent tem a segurança de seus óculos, exatamente quando vê sem querer ser visto. Como Super-Homem, ele está sendo olhado sempre por todos e por tudo. Não pode ser assim o tempo todo, nem para o filho de Jor-El. Destarte, ela também precisa sair do foco, descansar no backstage, pendurar por uns tempos os saltos altos. Chega de ser a Super-Mulher, demiurgo que a exposição exacerbada da mídia tornou quase que obrigatório ao nosso cotidiano mortal. Missão dada é missão cumprida. Há de existir, alhures, sua fortaleza de gelo, onde, sem ninguém do showbiz por perto, poderá dizer: “Venci!”.

071008

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

MULHER RECEBENDO FLORES


Subiu as escadas com as flores que acabara de ganhar. Eram três buquês coloridos, tantas flores que quase não enxergava os degraus. Estava feliz. Pelas flores, pela surpresa de as receber assim no fim da noite, quando muita gente já não espera mais que nada aconteça para alegrar a vida, para semear esperança. Enquanto subia cuidadosamente as escadas, também sentiu uma felicidade diferente por poder carregar tantas flores assim, depois de um dia cansativo de trabalho estressante e os inevitáveis afazeres domésticos. Poder carregar tantas flores não apenas fisicamente, mas poder merecê-las, poder aninhá-las junto ao peito e incorporá-las à vida. Uma vida repleta de flores. Assim ele, que as entregou, quisera para ela.
Depositou os buquês sobre a mesa da sala. Buscou, rápido, na memória, onde estava a jarra maior. Súbito, se deu conta que há muito não enchia aquela jarra com flores. Vazia por tanto tempo era, por assim dizer, um símbolo do nada que invadira insidiosamente sua vida, sua rotina, seus planos. Desfez o laço vermelho e retirou o plástico que protegia os caules. Cortou, cuidadosamente, as extremidades, na diagonal, como sempre fizera, para que sobrevivessem por mais tempo. Colocou água na jarra, junto com um pouco de açúcar. Ao fazer isso, lembrou-se que ele, um dia, ao vê-la na mesma função, havia estranhado a água açucarada e que tinha até dito que, por mais que tal procedimento ajudasse a sobrevida das flores, era uma providência desnecessária: bastaria às flores o toque daquelas mãos delicadas, por cujas pontas dos dedos, através de misteriosa transmutação, vertiam uma substância similar ao mais dulcíssimo mel - especialmente quando lhe acariciavam o rosto, dando-lhe a sensação de que uma seda finíssima se lhe tocava a pele. Ela sentiu a lembrança entrecortando-lhe o coração em duas partes – uma com aquele homem que sempre amou e outra, sem ele. Por um instante, então, estremeceu.
Arrumou as flores no jarro e o colocou no centro da mesa de madeira escura da sala. Tantas eram as flores, as cores, os aromas, que ela se sentiu mesmo num jardim. A casa, em silêncio, pois já era mais de meia-noite, parecia mesmo um castelo e a moça de olhos de cristal se permitiu sentir como se fosse uma princesa de verdade, dona de um vasto reino de carinho, amada por um plebeu. Não se importou com o horário daquelas flores noturnas. Eram bem-vindas, não importava a hora, não importava quando, não importava porque. Lembrou-se que havia uma flor rara, dessas que passam para o nível mitológico, que só floresce à noite, só aparece na primeiras horas e madrugada. Na infância, entre os contos de fadas que mais gostava, havia uma história de uma princesa que dedicava sua vida, dedicava sua jovem energia, a procurar esta misteriosa flor noturna que supostamente nasceria num vale distante e perigoso. Segundo um feitiço encomendado por princesas rivais e invejosas, caberia a esta princesa perseguir a flor até o fim dos seus dias, sem poder encontrá-la, num suplício parecido com o de Tântalo, gerando sofrimento e frustração.
Ficou emocionada ao dar-se conta que, ao receber aquelas flores numa hora tão improvável, ela devia se sentir como a tal princesa que buscava a flor rara e, por fim, a encontrava – feliz e completa. E mais: não tinha apenas uma flor, mas várias, inúmeras, que ela agora contemplava como um tesouro redescoberto. Nem precisou sair de casa – aquele homem que a amava as trouxe diligentemente, incondicionalmente, de longe, como um mensageiro da paz que ela merecia. Ele, com seu romantismo quase infantil e anacrônico, já a havia comparado a uma princesa antes. Ela, sem dúvida, gostava, e balançava a cabeça como se dissesse “ele não tem jeito mesmo”. Mas agora, no meio da noite, naquele momento em que chegamos a duvidar se somos ou não amados de verdade, ela dispunha de várias provas, várias pétalas, vários perfumes assegurando-lhe que sim, ele a amava, e seria capaz de lhe trazer flores a qualquer momento, inesperadamente, para que não pairasse dúvida sobre o que sentia.
Dando a última arrumação nos buquês, ela sorriu e, mordendo levemente o lábio, balançou a cabeça e pensou: ele não tem jeito...
Apagou a luz da sala e foi dormir com a sensação única que o amor não é mesmo ruidoso. Seu acolhimento é tranqüilo e silente. Sutil, se movimenta lentamente por trás das portas da percepção, nos desvãos das palavras escritas, entre as cortinas da saudade e, de repente, explode.

MULHER PASSANDO PERFUME


A mulher passando perfume é um acontecimento precedido por outro que ninguém vê, que é o próprio banho. Enxuga-se minuciosamente, quase bailando com a toalha, trazendo-a para junto à pele com uma firmeza delicada, resguardando certas visões, certos ângulos que são só dela neste momento. Não tem pressa. Contempla o corpo no espelho do banheiro à procura de imperfeições que não existem, e conclui com autocrítica implacável que ainda precisa emagrecer aqui, engordar ali, empinando-se meio de lado e equilibrando-se nas pontas dos pés. Assim, esguia, lembra uma bailarina e chega mesmo a fazer um movimento clássico, que lhe acontece naturalmente e que ela reconhece como uma pose já incorporada ao seu repertório de gestos.
Está linda assim nua. Súbito, junta a toalha com as mãos e a traz apertada junto ao peito, roçando de leve o tecido com o queixo. Interrompe esse diálogo íntimo consigo mesma para começar a se vestir. Desejará colocar a roupa ali mesmo, no banheiro, e não no closet, onde costuma passar horas escolhendo o que irá usar. Mas não se importa – faz daquele cômodo apertado um amplo espaço para a operosa tarefa de aperfeiçoar a perfeição. Sim, constata, sem desânimo, que a beleza, às vezes, cansa.
Instintivamente, enrola-se na toalha e faz um movimento surpreendente: num átimo, abre os braços como se fosse pegar alguma coisa de grande volume. Mas logo se vê o seu verdadeiro intuito: passa rapidamente os dedos longos entre os cabelos molhados e chega a considerar a possibilidade de deixá-los assim, meio rebeldes, com a assimetria umedecida e inesperada. “Acho que vou cortar mais um pouco”, pensa, enquanto sacode os fios negros com incomum presteza.
(Ponho-me a pensar: o que guardam essas mulheres lindas nos cabelos? O que acariciam? O que desabrocham? Que companhia se fazem através de seus cabelos? Quantas horas do dia, da vida, dedica uma mulher a tecer e destecer paixões e esperas nesses fios...?)
Está tão serena e tão profundamente concentrada que, se estivéssemos no tempo dos antigos gregos, certamente transformar-se-ia numa deusa única e, em torno de si, nasceria um mito. Rivalizaria com Afrodite nos domínios do amor e da beleza e criaria uma nova instância estético-mitológica: a deusa se perfumando.
Pois é exatamente aí que esta mulher, flutuando entre a divindade e o traço feminino das mortais, torna-se a senhora de todas as essências. Estica o longo braço alvo até o armário e, de lá, tira um frasco cujo conteúdo asperge sobre o corpo com movimentos rápidos e precisos. As pequenas gotas caem sobre a pele como chuva num um jardim, produzindo uma sensação olfativa que se mistura com lembranças de uma praia, de uma música, de uma voz ao telefone, de uma cor que ela não saberia definir, mas que seria como a cor de um sonho bom do qual não se quer acordar.
Com os dedos, percorre o rosto, a nuca, o pescoço, os seios, as pernas, até chegar ao côncavo atrás dos joelhos. Estremece. Ainda envolvida pela cortina invisível do perfume, olha-se no espelho e distingue fragrâncias diferentes no ar. Franze a testa levemente, como a classificar mentalmente a origem de tantos perfumes que pareciam perdidos no tempo. Primeiro, reconhece o cheiro da infância e as brincadeiras com os irmãos naquela antiga casa em Olaria; depois, vem-lhe o cheiro das bonecas e da roupa de cama ao se deitar à noite. Chega a ouvir, durante este mosaico de aromas, sua mamãezinha lhe dizendo “Durma com Deus, minha filhinha!”, enquanto a olha ternamente nos olhos negros e lhe acarinha os cabelos com a mão sábia. Sente o cheiro do café buscando-a na calçada e, então, o bolo sobre a mesa da cozinha se materializa numa fragrância quase palpável. Vêm, gradativamente, o perfume alegre das festas e o aroma protetor do pai que, num abraço demorado, resguarda dos perigos do mundo, seu único e mais precioso dengo. Uma profusão de cheiros antigos passa a visitar-lhe a memória: cheiro de livro novo, cheiro de goiaba, cheiro de cachorro molhado, cheiro de chuva, cheiro de férias, cheiro de flores, cheiro de chocolate, cheiro de esmalte e até um certo cheiro de saudade que costumava vir dentro de cartas antigas. Então, de repente, percebe que, entre essas cartas, Deus – ou isso a que chamamos assim tão descuidadamente de Deus – havia lhe enviado um presente raro: a possibilidade do amor. Ou isso a que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. Com aquelas palavras escritas, sentia-se protegida: a vida toda, esses pedacinhos desconexos se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal lhe aconteceria, tinha certeza, enquanto tivesse dentro do campo magnético daquela pessoa que costumava terminar suas cartas com apenas uma letra: F.
A mulher volta-se para os perfumes da realidade. Olha para o espelho e compõe mentalmente o momento poético em que se transforma diariamente: as pulseiras, os anéis, os brincos delicados. O que faz com que, entre milhares de pulseiras que ela vê diariamente nas matérias das revistas de moda, nas lojas e nos pulsos das outras, ela escolha exatamente aqueles aros de prata para adornar as mãos lindas? O que possuem aquelas pulseiras a mais do que todas as outras que as tornam capazes de se encaixar com perfeição no intricado quebra-cabeça do desejo? Ela é assim: uma mistura harmoniosa de cheiro bom e cintilações, uma mulher que quer possuir os átomos do tempo e que sabe que o amor é como um brinquedo desejado cuja magia misteriosa tentamos decifrar desmontando-o.
Deixa-se cercar pelos silêncios da casa. Contempla-se no espelho: de onde viria aquele equilíbrio de luzes no seu rosto? Relê, com os olhos da memória, a carta de F. Diante da fria superfície refletida, sente o perfume amado e retoma esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente a seus olhos, há tanto tempo incapazes de ver: a possibilidade do amor.


MULHER FALANDO COM A FILHA


Ela está num restaurante. Dá uma rápida olhada no salão e avalia, com olho sábio qual a melhor mesa. Escolhe uma, com cuidado, porém com rapidez. Há rosas vermelhas no vaso de vidro transparente, a mesma toalha e os guardanapos vermelhos bordados em branco. É como ela deseja, como imaginou.
Há poucas pessoas no restaurante no meio da tarde. Ela pretende só tomar uma xícara de chá, enquanto descansa e se prepara para os outros afazeres.
Súbito, seu celular toca. A partir daí, um espetáculo se instala naquele local fechado, exclusivo. Ela se levanta, ajeita os cabelos com a mão direita. Com a esquerda, leva o aparelho ao ouvido e começa a sorrir bem antes de falar. A princípio, não me dou conta, mas logo entendo a cena simples, mas multiplamente significativa que acontece a minha frente: a mulher está falando com a filha.
Seus olhos parecem assumir outras tonalidades, seu rosto se ilumina numa expressão de alegria e contentamento, sublinhado por um sorriso contido, mas que é todo uma mistura de orgulho e satisfação. Ninguém sabe, ninguém poderia saber. Mas eu sei, ela está falando com a filha, e alterna voz e sorriso com sábia discrição. Em dado momento, é firme e taxativa: “Não pode, e assunto encerrado!”. Em outro, é terna e irrefreavelmente delicada: “Claro, filha, claro que pode!”.
Os sapatos altos, de bico fino, a faziam mais alta e, contraditoriamente, íntima e hierática. As formas, pude bem constatar, eram coisa de Deus. O braço do telefone dobrava-se com sutileza, formando um ângulo oblíquo com o corpo ereto, de singular elegância. As mãos não apenas seguravam o aparelho, mas pareciam envolvê-lo com certo carinho, como se estivesse afagando os cabelos da filha, sussurrando ao seu ouvido.
Era, em si, uma fonte independente de luz. Sua sombra se projetava na parede de granito, amalgamando-se às reentrâncias do bloco mineral. Era como uma flor rara, solitária, que nasce da pedra, inesperadamente. Ela mesma, no recato de seu diálogo íntimo, tentou se incorporar naturalmente ao ambiente, sem querer chamar atenção, como se isso fosse possível. Só queria, naquele momento, mergulhar na filha que estava do outro lado da linha imaginária do celular, talvez brincando; talvez se arrumando para ir ao cinema com as amiguinhas; talvez brincando no quarto; talvez estudando, com uma dúvida que só a mãe poderia tirar.
A filha contava segredos e desfiava uma série de acontecimentos da escola. A mulher, então, fez um movimento que a deixou ainda mais linda. Continuou com a angulação do braço esquerdo, o que segurava o celular e, na a mão direita, apoiou com suavidade o cotovelo. Em pé, sempre, cruzou o pé direito sobre o esquerdo e se reclinou até quase encostar-se à parede. Sim, ela parecia em contato com a parede, mas não era assim que acontecia aquela cena. Ela não estava mais ali – havia se transportado para perto da filha quando pequena, a ida ao hospital, as roupas do enxoval, as noites em claro, as instruções às empregadas, o banho de sol no final da tarde, a doença inesperada, as primeiras palavras, o primeiro dia no colégio, as primeiras notas, as amigas do colégio, a dúvida entre tantos lápis coloridos. Ela ouvia a filha, mas também a via correndo na praia, rindo, tomando banho já atrasada para o colégio, deitada no quarto ouvindo música, chorando, pedindo, cantando. Via a filha dançar e imaginava como seria quando crescesse, que rumos tomaria aquela vidinha que ela cuidava como uma planta rara. Que faria a filha no futuro? Que profissão escolheria? Casaria? Teria filhos? Continuaria estudiosa e terna como agora? Estas questões passavam como turbilhão na sua cabeça, mas ela não perdia o rumo da conversa das duas, e se divertia com as descobertas que a sua menina estava fazendo. Uma coisa era certa: faria tudo para vê-la feliz. Súbito, atravessou-lhe também um medo: e se acontecer alguma coisa? Alterando levemente a voz, fez a filha prometer tomar cuidado e ligar mais tarde, de onde estivesse, ela iria pegá-la e cobri-la de beijos.
Mas essa apreensão passou logo, e a mulher, mais linda do que nunca, se recompôs. O laivo de preocupação foi deixado de lado e ela voltou a sorrir, tombando levemente a cabeça para o lado e, desta vez, olhando para um ponto infinito a sua frente. As duas tinham uma a outra. Nada mais importava.
Desligou o telefone, mas a sensação era que ainda estava em conexão com a filha, cuidando, protegendo, nutrindo. Caminhou, assim, leve, para a mesa. Colocou o celular na bolsa e se sentou. Sorriu mais umas orquídeas e começou a beber o chá que o garçom havia trazido.
Eu, que a observava de longe, tentei permanecer discreto. Mas nossos olhares se encontraram rapidamente e pude ver que seus olhos, agora, tinham a cor que enxergaríamos se pudéssemos olhar todas as estrelas de uma vez.