segunda-feira, 1 de abril de 2013

QUANDO NÓS DANÇAMOS...

(Um conto escrito enquanto um certo show rolava na TV e misturava os tempos verbais...)
Foi Gordon quem lhe pediu para que desse o recado ao pé da orelha fria, de onde, claro, pende um brinco essencial, pois sabe que esta mesma orelha perfeita há de dar contornos delicados a mais dolorosa das notícias, mas ele falou mesmo que, se alguém a amou como ele te ama, ele se afastaria envergonhado e mudaria de cidade, mudaria até de nome, pois quando dançavam, por algum belo e misterioso motivo, os anjos fugiam e escondiam suas asas, e embora um inesperado padre que tem falado que a salvação de sua alma está no equilíbrio dos anjos e abaixo da roda da paixão, ele conserva sua fé do seu modo, você sabe, quando dançavam, os anjos desapareceram e esconderam suas asas, só para ficar bem claro que ele ainda te ama e que encontrará um lugar para viver e lhe dar tudo o que tem, que é um punhado de palavras e um outro tanto de sonhos, desde que ele pudesse derrubar estas paredes e gritar seu nome às portas do céu, ele usaria estas mãos e destruiria a sombria máquina do destino, derrubaria catedrais, não mais céus acima e, abaixo, e acabaria com o fogo do inferno, e você o ouviria dizer que ainda te ama, então venha viver com ele e os filhos, posto que ele a amará mais que a vida, se você vier e ser sua mulher, e a amará noite e dia, e vai tentar de todo jeito, porque ele teve um sonho em que você estava do seu lado, caminhando com ele e seu coração estava cheio de orgulho, porque para ele tudo o que você faz é mágica e excita, e embora sua vida tenha sido trágica, a cada vez que você respirar, a cada movimento que você fizer, cada laço que romper, a cada passo que der e a cada vez que você mudar a lógica de seus sonhos, o seu amor continua...


 

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