Sentaram-se um diante do outro. Ela disse:
_ Bom, já que você está aqui, vá lá, diga o que você quer dizer, mas seja rápido, porque não tenho muito tempo, tá?
Ele se concentrou e sentiu que precisava capturar o ar, ou seja, inspirar. Sabia que no momento em que se interrompia a inspiração, fechar-se-ia a glote, que é a fenda que se abre com o distanciamento das duas cordas vocais no instante da inspiração, para permitir a passagem do ar. A esta altura, sentiu que os pulmões estavam cheios de ar, e o diafragma, músculo que separa seu tórax do abdômen, passou a comprimi-los. Com o aumento da pressão dos pulmões, os músculos do tórax e do diafragma relaxaram e o ar foi expulso dos pulmões. O aparelho fonador se articulou conforme o som que pretendia emitir, e as cordas vocais – até então unidas – separam-se em intervalos de milésimos de segundos, abrindo uma passagem por onde correu parte do ar, até então contido nos pulmões. A passagem do ar provocou vibrações nas suas cordas vocais e na laringe, gerando as ondas sonoras que ele havia imaginado. Como se propagavam no ar, as ondas sonoras produzidas no seu corpo “fluíram” pelo ambiente até chegar aos delicados ouvidos dela, que o olhava, em silêncio. Em contato com a membrana do tímpano, as ondas provocaram uma vibração na mesma freqüência produzida o organismo dele. O sinal recebido foi então transmitido ao cérebro da moça, que o interpreta:
_ Eu te amo...
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