FESTA

A
festa corre
solta.
Noite alta, e as
mulheres fazem
tim-tim com uma
bebida ice dessas,
sem se importarem
com a
multidão que passa em fluxos,
como grandes cardumes,
pelo salão iluminado
por luzes estroboscópicas.
Todos sorriem
seu melhor dente. O DJ da
hora paira
acima do
bem e do
mal, das belas
mulheres misteriosas, dos
puxadores de
ferro, dos
solitários, dos
estranhos sem carteirinha.
Tim-tim.
Outro. Acabou o
gelo. Pede
mais. O
ar está
cada vez mais abafado,
mas as
mulheres não transpiram. Inspiram. A
festa ferve numa
aliteração feroz,
em nome da
farra e da
fantasia.
Afinal, é
um evento no
coração da
cidade sem coração e
sem gente cordial: o brucutu
que levanta 200 no
supino nem se
toca de
abrir a
porta para a
moça passar.
Ela não se importa. O
coração não dispara mais. Desencana.
Tim-tim. As
saudades que doem à
noite se traduzem nas
lágrimas cintilantes das
telas de
cristal líquido de
todos os
celulares das
mulheres desta
festa,
que preferiram
azarar na
madrugada a
apagar a
luz do
quarto,
deitar com a
almofada do Garfield
entre as
pernas e
chorar baixinho
para ninguém ouvir.
Tudo isso para evitar –
em vão - a
dor e a
angústia de
viver em estado de
desencontro com o
mundo.
080401
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