terça-feira, 1 de abril de 2008

ORQUÍDEA

Luciana morava perto da casa dele. Ele, quando saía para trabalhar de manhã, não podia deixar de perceber a moça que varria a frente da casa (estamos numa cidade do interior), vestida modestamente, atenta ao que fazia. Com o passar do tempo, tentou se aproximar, com sucesso. Conversavam todas as manhãs, ele desejando um bom dia, e ela sorrindo com timidez. Um dia, ele lhe trouxe uma orquídea, lindíssima, comprada no centro da cidade, numa floricultura cara. Mas ela merecia, pensou ele. Chamou-a do portão e lhe deu o presente. Ela, que nunca havia visto uma orquídea, ainda mais uma tão especialmente bela como aquela, se extasiou. Sorriu um sorriso diferente, sem tanta timidez, mas com uma certa confiança que o deixou desconcertado. Ela perguntou que flor era aquela.

_ É uma flor chamada Luciana..., disse, tímido.

Ela sorriu de novo o novo sorriso e entrou. Na manhã seguinte, estranhamente, não apareceu, nem nos outros dias. Resolveu chamá-la do portão, como fizera dias antes. Uma senhora apareceu meio desconfiada e perguntou o que ele queria. Não, ela não conhecia nenhuma Luciana. Morava , ali, havia mais de trinta anos, desde a morte do marido que ela conhecera quando ainda era muito jovem. Ela nunca mais esquecera daquele homem, tão cavalheiro, tão romântico, que havia lhe dado, no início do namoro, uma orquídea de beleza incomparável, que ela guardava entre as páginas de um livro.

020215

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