sexta-feira, 4 de maio de 2007

BÁRBARA...


Até hoje me pergunto por que o major Nelson demorou tanto para perceber que tinha um mulherão dentro de casa, digo, dentro da garrafa, prontinha para satisfazer todos os seus desejos, sem reclamar. Não precisava ser um gênio para sacar que tinha tirado a sorte grande. Do ponto de vista da idade madura (não reclame – você já chegou lá também), é constrangedor ver, hoje, a Barbara Eden correndo atrás do major com aquelas curvas, aqueles olhos, aquela barriguinha, e ele nada. Pô, pegava até mal para a força aérea americana ter um astronauta com a cabeça na lua tendo um avião daqueles à disposição. E olha que estávamos na revolucionária década de 60, o movimento hippie estourando, pílula anticoncepcional, e outros avanços na área do comportamento. Por mais que a pudicícia impusesse códigos morais e frenasse qualquer abuso dos mid-morning sitcons, bem que moçada podia entender que a Barbara era bárbara mesmo e não havia outra musa mais linda, mais perfeita, para nossa pré-puberdade em ebulição. Melhor só estando no (a) éden. Ainda tinha o fetichismo daquela garrafa meio fálica, onde ela desaparecia e aparecia numa nuvem de fumaça rosa, em plena sala da casa do major. Gente, e ele dormia no quarto! E sozinho! Não, só mesmo a pueril inocência daquela época para nos manter diante da TV esperando o dia em que veríamos a Jeannie de biquíni ou de topless, mãos na cintura, já sem paciência, bicando a porta do quarto do major, dizendo com os olhos semicerrados: “Pode ser ou tá difícil?”. Mas longe dos discursos de Betty Fredman, Jeannie se comportava como a mais submissa das imortais e nada de botar o amo contra a parede, em cima da cama ou do sofá. Ele parecia estar mais preocupado com o Dr. Bellows, aquele que nunca podia dizer que acreditava em São Tomé. Aliás, psicanaliticamente falando, e já que o Bellows era psiquiatra, acho que o roteiro sempre ocultou que os dois eram pai e filho, fato que a sociedade americana podia não receber bem em função da sombra de nepotismo que podia pairar sobre a hierarquia da aeronáutica da Praia dos Cocos. Mas, bicho, era a Jeannie, toda boa, em casa, para satisfazer muito mais do que três desejos, e o major Nelson preocupado com os relatórios da Nasa. Nada justifica. Ainda mais que tínhamos o simpático mulherengo major Healey, que não podia ver um rabo de saia. Agora me explica porque ele nunca deu em cima da Jeannie? Será que gênio de amigo meu é homem? Será que ele não podia dar umas aulas pro Anthony? Afinal de contas, um pouco de romance não iria atrasar o programa espacial e ainda faria o major ver estrelas muito antes de entrar em órbita. Ficávamos todos nos perguntando como, entre tantas pessoas bem mais espertas no mundo, a Jeannie foi logo parar nas mãos inábeis do desajeitado major Nelson. Ah, se fosse comigo, lembro de ter ouvido vários amiguinhos dizerem quando Jeannie trepava (!) no pescoço do major e cobria-lhe de beijos sem nenhuma correspondência por parte do panaca. E o cara resistia também à irmã da Jeannie, tão gostosa quanto, não fossem a mesma atriz, só que morena e muito mais maliciosa. Como é que confiam o volante de um Saturno V a um sujeito assim? Lá para o terceiro ano da série, Sydney Sheldon deve ter achado que já estava mesmo demais e resolveu que Jeannie e o major deviam se casar, o que, paradoxalmente, tornou os roteiros mais monótonos e previsíveis, agora sem as trapalhadas que o esconde-esconde com o Dr. Bellows proporcionava. Era um casamento meio chocho e a nossa musa semidespida de então passou a usar uns vestidinhos horrorosos que, apesar de tudo, ainda deixavam o joelho e panturrilha à vista quando o enquadramento abria um pouco para o nosso deleite. Mas nada mais da barriguinha, do topezinho rosa (que já foi azul nos primeiros episódios) e o talvegue dos seios perfeitos, numa era que silicone deveria ser apenas um neologismo para designar algo que ainda seria inventado. Convenhamos, aquelas roupas da senhora Nelson tiraram da Jeannie muito do que ela tinha de melhor, apesar dos olhos azuis e do sorriso de menina ingênua que tinha passado séculos trancada numa garrafa. Pouca gente sabe que Bárbara fez todo o primeiro ano da série grávida de seu primeiro filho com o ator Michael Ansara e continuou em forma, como bem sabemos, na outras temporadas, apesar dos seus dois mil anos de idade que ela mal aparentava. Pelo contrário, com o tempo, ficou mais linda e sexy, o que compromete, em muito, a já famosa reputação do Major Anthony Nelson de não fazer o dever de casa.
Meu Deus! Como eram ingênuos os anos 60!

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